quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O voo de um Anjo


Alta vai a noite... é quase dia!
Alta vai a tua viagem, bem lá no cimo do céu muito para além das nuvens, muito para além do que se possa imaginar.
Gostava de fechar os olhos e voar contigo... havemos de fazê-lo um dia...
É estranho como te sinto tão presente no meio da imensidão da tua ausência. Partiste cedo, sei que tinhas muito mais para dar mas deixaste-te ir mesmo sabendo que nos colocarias, a todos, de luto... Egoísmo da tua parte!
Mas agora que penso, realmente os anjos são para estar no céu e depois duma longa estadia na Terra voltaste ao altar a onde pertences.
O Fábio, segundo sei, na hora da tua despedida estava destroçado... prestou-te uma bonita homenagem, dizem. Desculpa mas não pude estar presente... melhor, desculpa mas não quis estar presente. Como me posso despedir eu de alguém que sempre julguei eterno?! (o Carlitos disse-me o mesmo: "Sempre vi o avô como aquela pessoa que é sempre eterna!").
O tio surpreendeu-me bastante pela positiva, despediu-se de ti com a coragem necessária que ele muitas vezes não tem, sei que estás orgulhoso dele... eu também fiquei.
A tia, coitada... a tia sofre muito (como todos nós), viu-te bem de saúde aparentemente no dia em que deste entrada no hospital e o choque foi mesmo ver-te já ,dias mais tarde, num sono profundo. Vai custar-lhe a ultrapassar.
A mãe, a minha mãe quero eu dizer, sofre em silêncio... Mostra a mesma aparente dureza e frieza, mas não passa de fachada! Está em cacos... Quando está em tua casa torna-se muda, vagueia pelas memórias tão vossas e quase não se nota a presença dela nesses instantes.
A avó, bem... Deves imaginar como está a avó. Triste, desorientada, abalada, saudosa, e mesmo nos tendo a todos por perto sente-se desamparada e sozinha. O semblante é carregado, nota-se a léguas. Captei uma frase dela no meio de tanto sofrimento: "Foi o único homem que amei! Foram 47 anos!"... bonito de se ouvir o amor, não? Sentido, eu já tinha sentido agora ouvi-lo foi a primeira vez.
O Alexandre, o teu Chiribi, chorou imenso pela tua partida... eu cá sei que os vossos laços eram bastante fortes. Não foi por acaso que quando ele te viu a primeira vez na vida te "trepou" pelo colo acima assim do nada! As lágrimas dele foram a maneira mais terna mas ainda assim triste de dizer que te ama e que sente a tua falta.
Dos que são mais ligados a ti, falto eu exprimir o que sinto... Sinto falta de tudo, nunca pensei que fosse tão difícil uma situação assim! O beijo na testa em sinal de respeito pela tua figura e pelo que sempre significaste para todos, fica agora na testa da avó... é um legado. A tua cadeira de sonho e de sono agora mudou de sitio e eu já não me consigo sentar onde me costuma sentar, a teu lado... porque agora tu não estás. Não faltará muito para que façamos a nossa viagem a Timor tal como te prometi, não sei porque o digo, mas a verdade é que o sinto. Faremos essa viagem voando.
Prometo visitar-te um dia, mas não me peças para ser em breve... Talvez daqui a um ano quando realmente sentir que o natal foi vazio e que todas as datas festivas já não têm o colorido de outros tempos a não ser o cinza agora. Aí sim, faço questão de te visitar semanalmente para não dizeres como me dizias quando faltava à "convocatória" aos domingos ao almoço... eram 16h e pico da tarde e eu chegava a casa e tu dizias: "então, vens almoçar agora, não é?", com aquele sorriso da rebeldia que te recordava o passado.
Pronto avô, creio que é tudo por agora... Continua a voar bem alto, sempre mais alto do que os outros todos. Tornaste-te no rei dos céus e mesmo nas noites de maior neblina és a estrela que mais brilha e aquece o meu coração.
Com saudade... Amo-te!

Filipe Tiago Araújo, 06.02.2013  05h24min

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

 Por mais que caminhe, por maior que seja o percurso sinto que jamais conseguirei ser para ti aquilo com que sempre sonhaste... Percorro um caminho em vão.
 Vou em passos muito lentos tentando entrar no forte do teu coração mas a tua armadura impenetrável não me deixa invadir tão sagrado lugar.
 O passado feriu-te quando te encontravas mais desprotegido, sem defesas, e hoje sou eu quem paga o preço elevado de tanta batalha e tanta guerra com que te debateste em tempos idos.
 Estou demasiado preso agora, para desistir. Encontro-me, estático, à porta do "motor" que te faz viver mas a chave que tenho parece a errada! Tento a fechadura da confiança e esta parece nem sequer dar mostras de funcionar, a chave parece bem maior do que a fechadura e não vislumbro qualquer hipótese para conseguir entrar... não existe uma janela sequer.
 Percorro um caminho mais longo... Vou à volta e tento invadir-te pela porta da sinceridade mas, sem a chave da confiança, as minhas tentativas não surtem qualquer efeito. Estou destroçado!
 Andei tanto, fiz mais de trezentos quilómetros para sentir o teu "motor" trabalhar e mesmo assim não foi o suficiente.
 Antes mesmo de sermos aliados numa guerra percorrida a dois contra o resto do mundo, fomos e continuamos a ser inimigos... travando batalhas de desconfianças que nos vão separando aos poucos sem que nos apercebamos disso.
 Começo por pedir-te tréguas e é-me concedido tal desejo mas tudo se desvanece porque as redes sociais são o pior campo de batalha que pode existir!
 Escrevo porque hoje é o fim do mundo, dizem...
 Escrevo porque o meu coração pediu para o fazer. Está triste, sente-se meio perdido mas não quer abandonar as batalhas para assim vencer a guerra.
 Preciso dum aliado e nada melhor do que seres tu... mas enquanto não me abrires as portas do teu coração nada poderei fazer para ir em busca da chave da confiança e desbloquear o caminho que por fim dará a vitória final numa guerra sem sentido que, a todo o momento, nos poderá "matar" a ambos. 

Filipe Tiago Araújo

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A verdade sobre a mentira...

Depois duma larga "crise" de palavras, volto para escrever uma "troika" de sentimentos...


Ousa dizer a verdade: nunca vale a pena mentir. / Um erro que precise de uma mentira, acaba por precisar de duas."
George Herbert
...Não suporto falsidade e mentira, a verdade pode machucar, mas é sempre mais digna."
Charles Chaplin
Que vantagem têm os mentirosos? A de não serem acreditados quando dizem a verdade."
Aristóteles

Com o engodo de uma mentira, pesca-se uma carpa de verdade."
William Shakespeare


terça-feira, 17 de julho de 2012

I can't make you love me

Hoje seria obrigatório escrever... Passaram 3 anos já!
Três anos que regressei e tu não estavas lá para me esperar.
Três longos anos, onde a estabilidade nunca mais me "bateu à porta"...
Parece absurdo, mas nem depois deste tempo todo e das vidas que levamos, te consigo esquecer... Agora sim posso dizer que, pelo menos uma vez na vida amei alguém que não a mim próprio.
Não sei porque te continuo a dar importância pois com o passar do tempo foste crescendo e regredindo se é que me faço entender.
Lembro-te inocente, apaixonado, frágil, responsável e dócil.
Hoje vejo-te vulgar (mesmo continuando tu a seres especial para mim), desleixado, amargo, frio e calculista. As palavras que me saem agora dos dedos criam-me medo e arrepio-me com o que vou escrevendo, porque nem parece que estou a falar de ti.
Já não és o mesmo de outrora... Eu cresci contigo e agora sinto-me culpado porque te pareces comigo! (como eu fui!)
Contudo não vim aqui para te julgar, nunca foi essa a minha função e nem será... pois já errei e continuo a errar e prova disso é este texto que escrevo na continuação de uma história que já terminou à 3 anos.
Acho que é a data que mais me marca, não esquecendo a do meu aniversário e a do teu... Ainda hoje estás entranhado em mim e por mais que queira não consigo tirar-te de dentro de mim. Pensei em rasgar as nossas fotos, as tuas cartas e bloquear todas as formas de contacto contigo mas seria perder uma parte da minha história de vida... duma história que mesmo não terminando com final feliz, foi uma grande lição de vida para mim e foram os meses mais felizes da minha vida!
Amei (com medo), mas fui muito amado por ti e isso já mais esquecerei... Talvez seja esse o motivo porque escrevo hoje, passados esses três longos anos. Uma travessia no deserto que certamente continuará pois neste vazio de anos não houve ninguém que fosse como tu.
Não falo de apaixonado até porque já não o estou, mas talvez seja pelo remorso de te ter dado o meu coração quando na verdade merecias o mundo. Mas digo-te que o meu coração foi do tamanho do mundo no que ao nosso amor diz respeito.
Espero fazer-te lembrar desta data, em que me deixaste quando eu estava mais do que nunca caído de amor por ti, para todo o sempre e enquanto tiver força nos dedos para escrever...
Há 3 anos e 7 meses atrás fui o homem mais feliz deste mundo, hoje tenho que viver com essa recordação e tentar seguir o meu caminho.

Obrigado por me teres feito crescer.

Filipe Tiago Araújo, 15.07.2012 pelas 4:20h

terça-feira, 17 de abril de 2012

Sem Limites!

Podia ter escolhido, mas não!
Podia ter ignorado, mas não!
Podia ter sido o que não sou... mas não!

Jamais podia ser opção de escolha, pois o "perfeito" seria a normalidade.
Jamais poderia ter ignorado, pois seria posta em causa a minha essência.
Jamais poderia ter sido algo diferente daquilo que sou, pois não seria EU!

Conheço muitos e muitas que se "desviam" do certo(?!)...
Conheço muitos e muitas que fazem o que é certo!
Conheço alguns que optaram pela paz e o refúgio foi o suicídio.

Conheço-me bem demais para encontrar o caminho.
Conheço-me bem demais para saber que estou a fazer o "certo".
Conheço-me bem demais para valorizar a vida e ultrapassar obstáculos.

Valorizo quem se desvaloriza e cai sem se conseguir levantar.
Valorizo quem cai e se levanta sozinho para começar desde onde caiu.
Valorizo quem valoriza os outros pelo que são e não pelo que a sociedade pensa deles!

Amo uma Mãe que abraça a sua cria pelo que vê dela e não pelo que se diz dela!
Amo um Pai que chora de orgulho ao conhecer os valores da sua cria e não apontando o dedo pelo que é!
Amo os Avós, Tios, Irmãos e Primos que sabem o que és e te tratam pelo que significas para eles!

Não gosto que desistas de ser quem és.
Não gosto de te ver e sentir o teu olhar num vazio profundo.
Não gosto que te sintas um "trapo" e que te rasguem.

Gosto quando sabes o que é amar...
Gosto quando sabes que não há limites...
Gosto quando abres os horizontes e te sentes livre...
Gosto quando sentes que ser "diferente" é um dom...
Gosto quando começas a gostar de ti...
Gosto quando percebes que podes gostar daquilo que quiseres...

Gosto quando vês que - para além de seres Homem ou Mulher - vives, amas, sentes e és capaz do impossível.
Para ti que te defines como um ser-humano, o impossível é NADA!


Filipe Tiago Araújo, 4:01h do dia 17.04.2012

























quarta-feira, 7 de março de 2012

A Voz...

Esta é a voz...
A voz que quer gritar a tua ausência.
A voz calada pela dor da perda,
a voz que fala na imensidão solitária da madrugada.
A mesma voz que um dia te disse: "Amo-te!".
A voz dum personagem que não aceita a tua perda...

Recordo quando a tua voz me deu um simples "gosto de ti".
O eco dessa voz doce da qual hoje sinto falta...
Pena não teres sabido lidar com a voz do meu coração e do meu pensamento.

Depois daqueles dias tudo mudou!
A minha voz passou a ter eco porque não te encontrou mais.
A tua voz, entretanto, ecoa-me na cabeça...
e a saudade que sinto é tão grande que sou incapaz de aguentá-la sozinho.
Sinto-me amargo... tenho uma voz cá dentro de mim a moer-me o juízo...

É nostálgico olhar o passado e ver que hoje a tua voz não faz parte do meu quotidiano.
Triste é pensar em ti e ao mesmo tempo fechar os olhos e sentir o tocar das tuas mãos...
Os meus olhos veêm-te todos os dias apesar de não te ter à minha frente.
A tua voz diz-me o caminho pelo qual seguimos... e a dor é tão insuportável!
Hoje deu-me para ouvir a voz dos Paramore... "you are the only exception...".

A voz que grita o vazio dentro de mim é muito poderosa.
Tenho a certeza que ainda tínhamos tanto para dizer um ao outro...
Mas hoje, bem... hoje deu-me a real nostálgia de escutar a tua voz e o que ouço é o silêncio.

A voz é soberana e decidiu que as nossas se calassem para sempre. :'(


Filipe Tiago Araújo, 7.03.2012 pelas 05:30h

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O Despertar da vida...

Acordei com um sentimento esquisito... Sinto que, desde aquela sexta-feira, tu e eu já não somos esses mesmos "tu e eu".
Talvez com a desilusão daquilo que os meus olhos assistiram, tenha caído o sentimento que agora se vai arrastando pelo chão. Fica o carinho especial de quem gostou e foi gostando. Mas realmente agora deu aquele clic! Por fim deixo-te como sempre quiseste e gostas de estar... livre e com autonomia.
Daqui para a frente será tudo perfeitamente normal, sendo tu especial à tua maneira mas sem tratamentos de excepção. Terás os que os mais próximos têm de mim, amizade e a atenção necessária... sempre por igual.
A magia acabou precisamente na próximidade da data mágica, o Natal. Numa altura em que deveria andar eu mais vulnerável, mais frágil e com os sentimentos num turbilhão... o velho de barbas brancas deu-me este presente antecipado, o de seguir com a minha vida sem que haja qualquer intermitência que seja.
Hoje estou completamente feliz porque te consegui tirar da minha cabeça e também do meu coração. Consegui fazer com que ele, o coração, deixe de acelerar a cada vez que te aproximas de mim. Agora bate ao ritmo normal... ao ritmo da amizade.
Ficamo-nos por aqui, por onde sempre quiseste ficar... pela amizade. Quem sabe não será o mais correcto?! Esperemos para ver.
Naquela sexta-feira, que mais parecia dia 13 pelo azar que tive de presenciar a traição de um amigo e o cair do pano da tua moral, regressei a casa vazio e a perguntar-me o porquê daquilo?
Mas passadas estas duas semanas o tempo deu-me a resposta... foi apenas e só um empurrãozinho para aquilo que já devia ter esquecido desde Junho. Contudo sempre continuei cego e a querer-te cada vez mais, talvez até por me teres negado a ti.
Hoje, sinto que tudo isso me serviu para crescer ainda mais. Aprendi com alguns erros e aprendi também muito bem a lição para que não se volte a repetir... quando não existe feedback, parte-se para a frente com a vida porque esta mesma são dois dias e o carnaval são três!
As minhas pernas agora já não vão tremer ao ver-te... O meu coração não vai disparar, nem os meus olhos irão brilhar com a mesma intensidade de outros tempos. O abraço será na mesma caloroso mas desnudo do sentimento que outrora trazia.
Contudo, ainda assim, espero ver-te sempre feliz e a fazeres, sempre, aquilo que mais gostas...
Agora poderás dizer a outros, futuramente, que já tiveste quem te amasse muito e da maneira mais louca e intensa, mas que também nunca percebeste nem soubeste lidar com essa forma de amar. Podes dizer que te sentiste uma pessoa amada mas que nunca soubeste retribuir... poderás dizer, inclusivé, que mais ninguém te saberá amar como eu te amei, com toda a certeza.
Finalmente consigo andar de sorriso rasgado novamente... Foram-se, com o amor, outros pensamentos de incertezas que me invadiam a alma. Agora, com pouco ou nada tenho que me preocupar.
Por último... Obrigado por teres aturado os meus disparates durante todo este tempo. =)