sexta-feira, 28 de março de 2014

Parabéns Avó!

28 de Março de 2014

Não, não é o rei que faz anos... até porque não costumo escrever só quando o rei faz anos. Por sinal quem completa 65 primaveras é uma raínha, a minha raínha.
Saudades dos tempos de menino em que cuidavas de mim quando o mundo me parecia um lindo lugar para estar e viver. Não é que não continues a cuidar mas, hoje todo o meu corpo cresceu, embora aos teus olhos continue a ser o menino pequenino de outrora... e que saudades tenho eu de ser esse menino.
A razão que me leva a escrever hoje, especialmente, é para te prestar uma bela homenagem... estás oficialmente na terceira idade, avó. Já viveste quase uma vida, pois ainda faltam muitos mais anos para viver.
Partilhas sabedoria, ternura e vivências todos os dias, mas partilhas sobretudo amor... aos teus, aos que estão à tua volta e aos que já não estão. És uma devota de "que tudo se vai resolver, melhores dias virão!". Embora tenhas caído muitas vezes, tens sabido sempre te reerguer como uma verdadeira guerreira, só porque perdeste uma batalha não significa que tenhas perdido a guerra... e assim é que deve ser.
E como todos os guerreiros, tu não és excepção, sofres em silêncio nas batalhas mais duras da vida, mas eu já te conheço e leio nos teus olhos o sofrimento e a dor. Desde muito cedo, ou devo dizer desde sempre, criaste a linha de apoio "S.O.S. AVÓ" ou "S.O.S. MÃE", nenhum problema é teu e todos os problemas o são.
Um dia serás recompensada e Deus te dará tudo aquilo a que te privou. Ainda é muito cedo para isso acontecer, tudo leva o seu tempo.
A ideia deste texto, pequena homenagem, não é deixar-te triste ou algo que se pareça... é apenas para te demonstrar o carinho e o amor que sinto por ti e, perdoem-me os outros, é muito maior do que qualquer um possa imaginar ou receber de mim. Embora nunca me tenha "ligado" à igreja, todos os dias, sem ninguém saber (agora já toda a gente sabe!) rezo por ti para que essa força maior te dê energia e imortalidade.
Que o teu dia seja muito feliz sempre ao lado daqueles que mais amas e, não podendo tu estares com todos, infelizmente, saberás que o amor de ambos estará sempre contigo na forma de um coração que, nunca consegui perceber sendo tu tão baixinha como podes ter um coração de um tamanho enorme?!
Um enorme beijo e um forte abraço neste dia tão especial que é o teu aniversário.
Longa vida à raínha!

Do teu neto...

                           Filipe Tiago Araújo

(P.S.: O anónimo que se encontra nesta foto chama-se Hélton e ao que parece é guarda-redes do FC Porto, dizem! :-) )

quinta-feira, 20 de março de 2014

A vida que nunca o foi...

Como o tempo corre... Saudades de escrever, de dar voz à escrita.
O vento leva a vida pelas asas do tempo, conjugam-se... sinto-me mais velho e com, cada vez mais, vontade de escrever. De partilhar momentos com o escuro do quarto nas noites que foram frias, tristes e sós. Horas sem dormir, pensando no que sou, triste pelo que não consegui ser e lamentando o que poderia ter sido.
Noites de um escuro intenso onde a luz não é benvinda, no mais negro e profundo dos pensamentos em que a alma se solta do corpo e voa pelos caminhos que foram delineados mas, caminhos esses, nunca alcançados.
Pelo meio da viagem, as lágrimas... do que se viveu, com quem se viveu e sobretudo o que se poderia ter vivido. Triste vida a minha que descarrilou. Trocaram-se as linhas da minha carruagem, nasce-se perfeito, cresce-se imperfeito, vive-se lamentando-se.
O desânimo apodera-se do meu corpo, da minha mente e faz com que pare de lutar, derrubando-me violentamente numa vida, já dela, sem sentido. Obrigado a fazer o que não gosto, a viver o que não queria e preso pelas amarras da frustração.
Vida que não o é... e que, mesmo tendo que o ser, jamais terá significado algum.
Os anos passam a uma velocidade perigosa, as pessoas mudam, crescendo, outras envelhecendo e eu fico parado no tempo, à espera que tudo aconteça por pura magia, sem objetivos, ânimo, liberdade e amor.
Os que me viram crescer começam a abandonar os corpos e deixar a alma voar mais além e, os que vi crescer tornam-se homens seguindo as metas que traçaram à procura da felicidade plena. Aqueles que cresceram comigo hoje estão casados, já têm filhos e uma casa.
Sinto que o meu tempo passou... Vivo do vazio, no desalento e poucas são as "coisas" que realmente me fazem feliz. Vivo de momentos e não de um momento chamado vida... vou sendo feliz nas suas entrelinhas, ao meu jeito, ao sabor do vento e desapontando quem acreditou ou ainda acredita em mim.
Desejo um dia dormir profundamente, acordar num lugar onde sinta que o meu tempo chegou. Em que possa ter as asas da liberdade para poder voar pelos caminhos que um dia quis, sentir essa felicidade toda que um dia foi a espaços e poder amar quem sempre me amou. Por mais que as palavras sejam duras e cheias de impacto e sentimento, na verdade sonho um dia morrer! ... Não para fugir aos obstáculos que a vida me colocou no caminho, mas para me sentir bem, estável e em paz pois as noites sem dormir tornam-se dolorosas e os dias vão passando todos da mesma forma, igualmente vazios, sem uma meta, sem uma lógica. Refugiu-me entre quatro paredes onde o tempo parece parado e o mundo lá fora continua a girar. Que impotência! Até aqui a este momento pensei que, nesta guerra com a vida, ia ganhando algumas batalhas, mas afinal apercebo-me que fui vencido e que a vida me derrotou... perdi a guerra.
O lamento é triste mas é a mais pura da minha realidade. Sejam felizes!

                                                                                                        Filipe Tiago Araújo, 20.03.2014

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Portuguêsmente sentindo...

Saudade, palavra inteiramente portuguesa... sem tradução possível para outras línguas.

Saudade, palavra de fado, palavra que define o estado de alma de cada português...

Saudade, que descreve o indescritível.
Saudade... será nostalgia? Será remorso? O que será?


Saudade, algo que não se vê, que não se apalpa mas que se sente.
Saudade, sente-se no coração, na alma, no invisível da mente...
Saudade, é o que sinto por ti e não consigo descrever!
Saudade, faz sofrer mas sabe tão bem.
Saudade, é quando fechas os olhos e voas nas histórias do tempo.
Saudade, quando apalpas o que já não palpável...
Saudade, quando falas com quem já não tens com quem falar.
Saudade, confunde-se facilmente com nostalgia no que toca ao amor... ERRADO!
Saudade não é pelo amor que se perdeu mas sim por alguém que partiu.
Saudade, palavra 100% portuguesa!
Saudade... mas que saudade...

Filipe Tiago Araújo, 7.11.2013

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Os melhores anos da minha vida


Na busca dum passado recente
Divago pelas memórias da minha mente.
Correndo nas entrelinhas do tempo
És tu e eu, somente.

Passeando por histórias que gostávamos de repetir
Histórias em que tu me fazias rir...
Estragadas pelas denúncias feitas pelo tempo
... um dia tive de partir.

Aguentei até onde deu
Amei-te e que mal correu!
Nas brisas desse tempo
Vejo que nada que era teu me pertenceu.
O amor morreu...

Rejuvenesci...
Levantei-me da lama e vivi!
Vivi o tempo perdido guardado em memórias antigas
E o quanto me ri!
Ri-me de te ver a rastejar a meus pés e mesmo assim segui...
Segui o caminho que nunca mais me fez parar por ti.

Hoje estou bem...
Já passou o cinzento dessa nuvem.
Nuvem do tempo que rios de lágrimas da cara me fez cair.
E hoje, para além de sorrir das emoções desse vaivém,
Pergunto-te se sabes quem eu sou? QUEM?

Amei, sofri, chorei e acabei por rir
Rir por te ver chorar e a regredir.
A idade já pesa e agora é o tempo quem dita o destino,
Desculpa, mas tive de partir...


Filipe Tiago Araújo, 31.07.2013 às 06:20h

sábado, 27 de abril de 2013

Memórias da tua história e história das tuas memórias


E lá passaram os dolorosos 3 meses...

O teu cadeirão continua vazio!
Poucos são aqueles que têm coragem de se sentar lá. A tua ausência é tão presente que ninguém ousa ocupar o teu espaço que, mesmo vazio vai continuando cheio... Cheio de boas memórias, de história, de gargalhadas, de lágrimas, de ti.
Embora a tua presença não seja física, todos te sentimos muito dentro de nós. Não me parece que algum dia consigamos ultrapassar a tua ausência, até porque isso seria abandonar-te, deixar-te esquecido, mas tu és muito mais importante do que qualquer bem material, do que qualquer matéria prima.
Ensinaste-nos a viver de forma honesta, honrosa, digna e com muita sabedoria... Partilhaste histórias, experiências, vivências e demos a volta ao mundo sem que nunca tivéssemos de sair da cadeira. Viajamos por Angola, Zaire e fomos até Timor pela tua voz alegre, saudosa e cativante. Conhecemos o mundo! Um mundo tão diferente desta realidade. Viajamos e vivemos as tuas histórias, como se lá tivéssemos estado, tal era o entusiasmo com que nos contavas cada momento da tua história.
Hoje resta-nos as memórias das tuas memórias. Deixaste-nos!
Continuo a não aceitar que te foste... porque sei que aguentavas cá ficar, mas deixaste-te ir e isso nunca te vou perdoar. Tinhas mais para nos dar, foste preguiçoso e deixaste-te levar.
Agora, o teu cadeirão tornou-se a cadeira de sonho de todos lá de casa. Fechamos os olhos e conseguimos sentir o teu cheiro, ouvir as tuas gargalhadas e as tuas histórias mas também conseguimos algo que nunca nos tinhas ensinado... voar!
Voar por memórias perdidas, memórias tuas que tantas vezes partilhaste. Deste-nos asas mas quem realmente voa e continua a ser um anjo, és tu!
Paz à tua alma!

Filipe Tiago Araújo, 27.04.2013

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Quase 3 meses depois...


Passaram quase três meses desde que me zanguei contigo por teres partido sem me deixares despedir de ti.
A ausência é tão grande que, mesmo chateado, vim-te ver passado este tempo. As saudades já apertavam e eu só estava a adiar o inevitável.
Já não me lembrava de "sujar" as mãos com a terra que costumo pisar, mas hoje para estar mais perto de ti, decidi colocar as mãos no solo e sentir, de novo, a tua pulsação. Embora estejas na escuridão profunda dessa terra, à noite brilhas com grande intensidade lá no alto dos céus... És o rei do universo, ou então apenas e só o rei do meu universo.
Quase não consigo ler o que escrevo, os olhos cegam-me das lágrimas que deito porque a emoção é forte e o meu ritmo cardíaco quase faz rebentar o meu coração do peito para fora.
Já matei as minhas saudades, mas ao escrever este texto só queria que visses como me tremem as mãos de nervoso e triste que estou pela tua avassaladora ausência... é que nem um "até já" te consegui dar e nem imaginas como isso me faz tão culpado e triste.
Preferi vir sozinho, ver-te. Sabia que as lágrimas não se iam conter e então resolvi nada dizer, fosse a quem fosse, para poder chorar sozinho e assim só tu saberás desta "lamechice".
Venho ver-te muitas mais vezes pois embora me tenhas abandonado, já o mesmo não farei contigo.
Carregava um peso enorme nas costas por não te ter vindo ver, mas agora sinto-me aliviado, com paz interior.
A vista que tens daqui não é nada parecida com o Gerês, mas tu também sempre foste muito citadino, por isso também não é problema para ti. O único senão é estares de costas voltadas para o Dragão, mas eu compreendo-te, pois também não vou "à bola" com o Vítor Pereira, mas deixa para lá, mais cedo ou mais tarde ele vai embora.
Bem, quem vai embora agora sou eu... já passa das 17 horas e isto não é vida.
Falamos noutro dia, agora descansa... em paz.

Filipe Tiago Araújo, 11.04.2013