quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Indefinições II

De cinzento veste-se o céu...
Gris como a minha alma
Num corpo que não sou eu,
Numa personagem de trama.


Como cai a chuva lá fora,
À velocidade duma lágrima minha.
Que faço eu aqui e agora?
Se nenhum desejo eu tinha!


O frio entranha-se nos ossos.
Nesses que não quis para mim,
Da carne que me faz tão vossos
De algo que não escolhi, ainda assim.


Tudo se resume à vida...
Ou talvez a este inverno.
Viagem sem retorno, só ida,
Mais tarde vemo-nos no Inferno.


Acompanhado mas sempre sozinho,
Neste trilho sem rumo.
Nos olhos... a falta do brilhozinho,
Envoltos numa nuvem de fumo.


Negro como a noite escura
Está o pensamento
Repleto duma grande loucura
Num buraco sem sentimento.


Nada parece fazer sentido,
Neste confuso mundo.
Tudo parece adquirido,
Não passando dum poço sem fundo.


Filipe Tiago Araújo, 02.02.2015

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Indefinição

Por vezes sinto que não nasci na época certa.
Sinto, talvez até, que não deveria ter nascido.
O incómodo silêncio das noites frias, fazem pensar...
E talvez a detestável filosofia faça sentido
- "Só sei que nada sei!"

O porquê da nossa existência, intriga-me.
Faz sentido nascer para morrer?
E com que objetivo é que somos postos no mundo?
As velhas gentes dizem que tudo tem um ciclo...
Que quando termina um, inicia-se outro novo.
Mas será mesmo assim?

Tudo me parece demasiadamente igual!
Nasce-se, vive-se, morre-se.
Haverá vida para além da vida?

Mas qual o sentido de tudo isto? O propósito?
Mesmo o tempo (a passagem) sendo limitado,
Jamais usufruímos desta oportunidade que nos é dada.
A tão "maravilhosa" vida fica estragada por um simples papel.
Tudo gira à volta do dinheiro!
Isso faz de nós más pessoas... egoístas, materialistas, 
mentalmente limitados e ignorantes, ao mesmo tempo.
Não gosto do dinheiro mas admiro o sonho...
Aí sim, sou feliz!
Faço o que quero, vou para onde quero e não tenho que pagar
o que quer que seja por isso.
Não sei qual o meu rumo na vida... Não sei, sequer, porque ter um rumo!
Tudo é bastante sofrido e desequilibrado, uns com tudo e outros sem nada.
Não entendo isto a que chamamos vida.
E se é para ser infeliz, então não vale mais a pena viver.

Filipe Tiago Araújo, 02:47h 28.01.2015 

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Carta de Natal

A época quase me obriga a escrever, mas apenas escrevo porque gosto de o fazer. Estamos nos Natal, mais um passado em família, junto daqueles que mais amo... e no meu sapatinho apareceste tu, muito mais cedo do que o previsto, foi em Abril.
Escrevo-te por aqui para ser mais fácil de ler porque, embora a tua letra seja a mais feia e elegível, eu compreendo-a, já tu não entendes a minha... vai-se lá saber porquê?! :)
Entende esta carta como o meu presente de natal para ti. As condições financeiras não são das melhores, mas eu também acho que tu não ligas muito a bens materiais, mas sim aos gestos de amizade e carinho que as pessoas têm para contigo... daí ter optado por este presente.
Embora saiba que não tens paciência para ler, sei que o vais fazer, nem que demore uma semana ou mais, mas vais ler. :)
Esta carta de natal que te escrevo é também de agradecimento por tudo que já fizeste por mim e pelos momentos vividos. Momentos esses que jamais esquecerei, especialmente daquele abraço que só tu sabes dar nos momentos cruciais, nos momentos que mais preciso.
Todas as brincadeiras que fazemos, como duas crianças que ainda andam na escola, têm o seu gostinho especial... principalmente quando te sai um "foda-se! caralho!" bem alto no meio das aulas, na reação às cócegas que detestas que te façam. xD
Acho que já te disse algumas vezes (pelo menos duas) que tu és uma verdadeira caixinha de surpresas que, desde Abril até Dezembro, tenho vindo a descobrir. Só quem te conhece sabe como funcionas e como lidar contigo... és mesmo muito especial e talvez até nem tenhas noção disso!
Para esta carta não ser muito longa, para que tenhas vontade de a ler, vou terminá-la já de seguida... Desejando-te um Feliz Natal e um 2015 repleto de coisas boas e, que continues a fazer parte da minha vida sendo a nossa amizade muito especial e espero que duradoura. 

Ao meu querido e estimado amigo,

Sérgio Silva


                                                                                                             Filipe Tiago Araújo, 22.12.2014

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Poema à Mãe



Não diz, não imagina, mas eu sei…
Sei que fica no silêncio das longas horas da noite,
No seu quarto, a chorar… Porque a vida não lhe sorri.
Não diz, talvez nem imagine, mas eu sei…
Sei que sofre sozinha quando a sorte não lhe bate à porta.
Pensa que o mundo se tornou numa conspiração contra ela…


Não diz, não imagina, mas eu sei…
Sei que há muitas coisas que lhe fazem falta,
Uma delas, é o amor.
Os olhos negam as palavras que profere!
Não diz, talvez nem imagine, mas eu sei…
Sei que tem sido dura consigo mesma.
Os anos passam, o tempo é curto, 

Tal como a felicidade que creio já se ter esgotado.


Eu digo, ela imagina, mas não faz ideia…
Não faz ideia do quanto eu a amo e que sofro com ela,
Em silêncio…
Eu digo, ela talvez imagine, mas não faz ideia…
Não faz ideia de que estou aqui para a “guerra”!


Eu digo, ela imagina, mas não acredita…
Não acredita que o meu amor é tão incondicional que,
Jamais a abandonarei!
Eu digo, ela talvez imagine, mas não acredita…
Não acredita que a sorte nos bafejará e que a felicidade voltará!
 

Talvez não acredite, mas eu sei…
Sei que os seus olhos voltarão a sorrir e eu sorrirei também.
Eu sei, ela também sabe…
Sabe que juntos somos um só!
Eu sei, ela tem a certeza…
Certeza que vim do seu ventre e que lhe chamo de…
MÃE!
                                                                                 
Filipe Tiago Araújo, 05.12.2014

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

A ti me declaro...

Nunca sei bem por onde começar, então hoje muito menos... o tema não é de desilusão mas sim de algo bonito, a paixão, o amor e a emoção que brota destes dois sentimentos.
Não fosse eu beber um pouco demais naquele dia e hoje não estaríamos juntos, com toda a certeza. No meio da infelicidade, felizmente bebi! Digo isto porque me aproximei, ainda que sem querer, de ti...
O teu sorriso contagiante, conjugado com esse olhar que me rompe e desfaz por completo, fizeram-me ceder. Do frio árido do meu coração encontrei uma pequena chama assim que as conversas se foram desenrolando.
Certo dia, ganhei coragem e desafiei-te para um encontro. Para, uma vez mais, te conseguir olhar nos olhos e, desta vez sóbrio, ver como o teu sorriso é bem mais bonito com a nitidez de quem te olha com olhos de ver.
Não hesitei em largar tudo quando aceitaste o desafio de estar comigo... as aulas podiam esperar, tudo o resto teria o seu tempo mas aquelas horas passadas contigo não me podiam fugir, e assim foi.
Passamos horas a conversar e quase vimos o pôr do sol, o que para um primeiro encontro até nem está nada mal! Atrevido, beijei-te. Não consegui resistir ao encanto dos teus lábios, à sua textura e suavidade.
Falamos de tudo o que havia para falar... do passado, do presente e provavelmente até demos a entender um pouco do que será o futuro. As horas passaram rápido e todo o tempo contigo foi - e continua a ser - pouco. Contudo quero que saibas que, desde à 5 anos para cá, não me lembro de ser tão feliz como sou quando estou contigo, apenas e só por saber que estás comigo e por me fazeres sentir bem.
Quero agradecer-te por me afastares fantasmas do passado e por me fazeres mudar em muitas coisas (para melhor), embora não tenhas percepção de todas as minhas mudanças... Obrigado por tudo isso e muito mais!
Esperei este tempo todo para escrever algo assim, para não me precipitar como outrora já o fiz. Mas hoje escrevo com toda a certeza que tenho dentro de mim, de que finalmente chegou quem eu tanto esperei. Vieste sem data e hora marcada... vieste para jamais te deixar ir embora!
Imagino todo um futuro risonho ao teu lado, a harmonia, empatia e o sentimento não me deixam mentir.
Uma vez mais, obrigado por estares comigo!

Estamos juntos!

Filipe Tiago Araújo, 01.12.2014

sábado, 14 de junho de 2014

Copa Mundial, o mundo com Portugal

A bola rola de novo
Em ano de Mundial
É a alegria do povo
Juntos, somos Portugal!


Alemanha, Gana e Estados Unidos
Um grupo nada fácil de defrontar
Conquistaremos o Brasil como em tempos idos
Contra os canhões, marchar! Marchar!


Grupo passado em primeiro ou em segundo
Isso é pouco relevante
Os Tugas vão-se mostrar ao mundo
Avante, camarada! Avante!


Depois venha a Argentina ou a Espanha
Porque tudo o vento levou
Mesmo que joguem cheios de manha
No final, Portugal ganhou.


Heróis do mar, já fomos um dia
Heróis do mundo, seremos agora
Com o povo cheio de folia
Festejemos país, 'tá na hora!
                                                                                  Filipe Tiago Araújo

quinta-feira, 8 de maio de 2014

O Amor a Portugal

O país que se arrepia ao ouvir Fado - seja pela voz da sua "embaixadora" de sempre, Amália Rodrigues... ou seja pela "representante" de agora, Mariza - arrepia-se porque sente essa nostalgia expressa às cordas de uma guitarra bem portuguesa.
Nos últimos anos temos sofrido como só nós e a Grécia sabemos... Perdemos a esperança, baixamos os braços no momento de ir "à luta", criticamos tudo o que está mal, exercemos o nosso direito de voto mesmo que este seja errado, a corrupção passa-nos à frente dos olhos todos os dias através dos media e nós aceitamos... Aceitamos como se nada estivesse a acontecer.
Portugal estava parado antes da Revolução de Abril de '74, "acordou" com a democracia e acabou por se acomodar, estagnando ou mesmo regredindo na forma de estar, de pensar e, sobretudo, de viver.
Chegou a TROIKA, aquela mesma que já tinha cá estado nos anos '80, e nós encolhemo-nos. E encolhemo-nos em todos os sentidos... no orçamento familiar, deixamos de comer e de beber da forma a que estavamos habituados, deixamos o carro de lado porque o preço da gasolina é macabro, subiu o IVA e o que é que nós fizemos?! ... Eu digo, resignámo-nos uma vez mais! Fizemos uma espécie de ruído aos ouvidos de quem não nos ouve (governo) e calamo-nos. Simplesmente calamo-nos.
Consulto a Constituição da República e deparo-me com o seguinte: "A Assembleia da República é o parlamento nacional, e é composta por todos os deputados eleitos. Representa todos os cidadãos.
Os deputados são eleitos pelos portugueses. (...) Nas eleições legislativas, os portugueses votam no partido que consideram que deve ser chamado para o governo ou no que pensam que melhor os representa.". Lendo isto e vendo o que se passou, por exemplo, a 15 de Setembro de 2012 quando o país saiu à rua naquela que, segundo a imprensa, a "Manifestação de 15 de setembro terá sido a maior desde o 25 de abril", pergunto: De que serve então a Constituição?! Se os colocámos lá porque são os que melhor nos representam... então porque não poderemos nós destitui-los quando eles nos representam mal?!
Estamos em 2014 e o governo continua a ser o mesmo de 2012 e nada, desde lá até hoje, mudou. O pobre fica cada vez com menos recursos, o rico continua a somar euros nas suas contas já avultadas, a fraude fiscal continua, os compadríos são cada vez mais em maior escala e os pensionistas que trabalharam anos a fio para que o país crescesse veêm agora as suas pensões serem cortadas, quando já todos nós sabemos que o valor mínimo das pensões em Portugal é dos mais baixos da europa, fixado nos 200€, isto se não estiver enganado.
O povo "abandona" o país num acto de último recurso de sobrevivência... Portugal fica "despido" de jovens que veêm o seu futuro hipotecado com a falta de trabalho e emprego. De cinzento ou de negro são estas as cores que pintam a nossa pátria. Mas penso que está mais do que na hora de nos levantarmos, de nos erguermos em uníssono e dizer BASTA! Construir um Portugal melhor, com vontade de crescer e com positividade. Agarrarmo-nos às coisas boas e fazermos mais... Deixar de ver o mundo e a vida passar à frente dos nossos olhos e nada fazermos para reverter a situação.

"Portugal tem muitas coisas boas. Tem uma das mais baixas taxas de mortalidade infantil do mundo. Em apenas 4 anos, Portugal, construiu o mais importante registo europeu de dadores de medula óssea. E inúmeras empresas portuguesas trabalham com a NASA.



A verdade é que em muitas coisas estamos na vanguarda da tecnologia, no primeiro lugar mundial. 

Portugal Vale a Pena." - Noticia a Rádio Renascença dando um exemplo de que também somos bons em determinados assuntos.
O embaixador do Reino Unido em Portugal diz que, "o número de pessoas que morre em acidentes rodoviários é muito menor, cerca de 2000 em 1993 e de 776 em 2008. O vinho; já era bom, mas agora a variedade e a inovação são notáveis, com muito mais oferta e experiências agradáveis. Também se pode dizer a mesma coisa sobre o azeite e outros produtos tradicionais. A saúde; muitas das minhas colegas têm feito esta sugestão – a qualidade do tratamento é muito melhor hoje em dia, apesar das dificuldades financeiras, etc. A prova está no aumento da esperança de vida, de cerca de 74 em 1993 para 78 anos em 2008. A inovação; talvez seja fruto da minha ignorância do país em 1994, mas fico de boca aberta quando visito algumas das empresas que estão a investir no Reino Unido, altíssima tecnologia, quadros dinâmicos e – o mais importante de tudo – não há medo. Acreditam que estão entre os melhores do mundo, e vão ao meu país, entre outros, para prová-lo.As cores; Portugal tem e sempre teve cores naturais bonitas. Mas a minha memória de 1994 era o aspecto visual bastante cinzento das cidades, desde a roupa até aos carros. Hoje há mais alegria – recordo um português que me disse, talvez com tristeza, que o país estava a tornar-se mais tropical.". Mais um tópico que fica para nos ajudar a levantar a moral e a elevar o nome deste belo país bem mais alto do que todos os outros. E como último exemplo, como não poderia deixar de ser, vem o futebol. Somos um país apaixonado pelo desporto-rei e organizamos o Campeonato da Europa de 2004 e ficamos a saber que: "O director executivo da UEFA, Lars-Christer Olsson, afirmou esta quarta-feira que o EURO 2004 é o melhor Europeu de futebol de sempre. Após o final de uma reunião do comité executivo do organismo em Lisboa, o responsável referiu que «é difícil de encontrar sérios problemas na organização do evento», salientando o bom futebol praticado até ao momento no Campeonato da Europa.
Lars-Christer Olsson recordou que está desde 1992 envolvido neste tipo de competição e que por isso está a vontade para a afirmar que «o EURO 2004 é o melhor de sempre».
Do ponto de vista da organização, o director executivo considerou que «nunca um Campeonato da Europa foi tão bem organizado nas diversas áreas»". Temos ou não que ter orgulho em nós e naquilo que nós somos?! ... Vale muito a pena gostar de quem somos e sobretudo aceitar quem somos, pois tal como diz numa canção cantada por Dulce Pontes"(...) porque afinal falta cumprir o amor a Portugal.".

Filipe Tiago Araújo, 08.05.2014